O programa de voluntariado do Instituto Hórus foi criado em 2010 com o objetivo de restaurar e conservar o Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, em Florianópolis – SC. O trabalho realizado por voluntários é o controle de pínus (Pinus spp.) que invadem a restinga no parque, ocupando o espaço de plantas nativas e eliminando-as aos poucos por sombreamento. O Departamento de Ecologia e Zoologia do Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina é parceiro do programa, de modo que os alunos que participam contam horas de trabalho de extensão universitária em seus currículos.

Mutirões de controle de pínus são realizados com frequência mensal. Os recursos para o desenvolvimento do programa são oriundos de campanhas de financiamento coletivo (crowd funding), com algumas exceções. 

Se você tem interesse em participar, inscreva-se pelo Facebook. Fotografias dos mutirões são postadas após cada evento. Alguns vídeos estão diponíveis em nosso canal no youtube.

Para saber mais detalhes… continue lendo.

Os pinheiros americanos (pínus) foram introduzidos em Florianópolis na década de 1960 para fins de experimentação florestal. Nessa época, o governo brasileiro estava incentivando o plantio de pínus e eucaliptos para a produção de celulose, papel e madeira. O gênero Pinus é considerado um dos mais invasores do mundo, com vinte espécies invasoras em alguma região no hemisfério sul.

Os pínus tendem a invadir ecossistemas abertos, tais como cerrados, campos, restingas, brejos e áreas degradadas de floresta, assim como pastagens e áreas agrícolas. Ao longo do tempo, sem controle, vão substituindo a vegetação nativa. No processo, podem alterar o regime hidrológico, regimes naturais de fogo e de ciclagem de nutrientes, provocar alterações físicas e químicas nos solos e mudanças em comunidades de seres vivos.

O Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição protege remanescentes de restinga, a vegetação que ocupa dunas e áreas costeiras sobre solos arenosos. Abriga uma alta riqueza de espécies, incluindo plantas carnívoras, ervas, arbustos e pequenas árvores. Duas espécies de plantas endêmicas localmente ameaçadas estão protegidas dentro do Parque – Campomanesia littoralisCyphomandra maritima. A diversidade de aves também é bastante alta. Muitas delas fazem uso de lagoas temporárias formadas no verão, época de chuvas mais intensas. Algumas aves são migratórias e voltam ao parque todos os anos, onde reproduzem.

Do que trata o artigo publicado na revista Biological Invasions?

A motivação para elaboração do artigo foi mostrar que é possível manejar espécies exóticas invasoras por meio da participação de cidadãos, assim como mostrar aos voluntários a relevância da continuidade do trabalho para a conservação da biodiversidade no Parque Municipal.

Foram simulados três cenários. O primeiro representa a condição do Parque se nada tivesse sido feito desde o ano de 2010, quando o programa de controle foi iniciado. O segundo é uma simulação de resultados em função da continuidade dos mutirões de controle dentro do parque. O terceiro é uma simulação das atividades de controle dentro do parque e envolvendo propriedades particulares vizinhas. Nessas propriedades, pínus foram plantados para fins ornamentais e de contenção de dunas há cerca de 30 ou 40 anos e constituem, hoje, a principal fonte proliferação de pínus para dentro do Parque Municipal.

Os resultados mostram que, caso o programa de controle não existisse (cenário 1), quase metade dos ambientes suscetíveis à invasão biológica estariam dominados por pínus invasores em 2028. Essas áreas equivalem a cerca de um terço de todo o parque. Se o trabalho continuar somente dentro do parque (cenário 2), haverá uma redução de quatro vezes na extensão da área invadida, em comparação com o cenário 1. E se o trabalho for realizado no parque e nas propriedades vizinhas (cenário 3), será viável erradicar os pínus de dentro do Parque até 2028, especialmente em função da eliminação de árvores de maior porte nas propriedades vizinhas. Sendo assim, para os próximos anos, a colaboração dos moradores do entorno do Parque é fundamental para resolver o problema. A Lei Municipal 9.097/2012, regulamentada pelo Decreto Municipal 17.938/2017, estabece que pínus devem ser eliminados de propriedades particulares do município até dezembro de 2019.

Representação dos cenários estudados, com a invasão por pínus indicada pela cor verde dentro do Parque Municipal: (a) sem controle; (b) com controle dentro do parque; (c) com controle dentro do parque e eliminação nas propriedades vizinhas.
Fonte: Dechoum, M. S. et al. 2018. Citizen engagement in the management of non-native invasive pines: Does it make a difference? Biological Invasions, doi: 10.1007/s10530-018-1814-0. 

Em 2018 publicamos um artigo científico comparando a situação atual do Parque com o controle por voluntários e a projeção de como estaria a invasão por pínus se nada tivesse sido feito. Acessar o artigo (Biological Invasions, inglês).

 

A mesma área antes e depois do controle de pínus.

Grupo de voluntários