Troque sua palmeira-real ou imperial por um palmito-juçara!

O palmito-juçara (Euterpe edulis) é um elemento-chave para a sobrevivência de mais de 50 espécies de aves e mamíferos nativos da Floresta Atlântica ao longo do litoral brasileiro. As principais ameaças à conservação do palmito-juçara são:

  • Extração ilegal: há muitas décadas, o palmito é “roubado” da floresta para venda, sem que haja reposição das plantas ou semeadura.
  • Desmatamento: plantas que ocorrem em pequenas “ilhas” de floresta podem ficar debilitadas pela falta de trocas genéticas no processo de polinização.
  • Redução de populações de aves de grande porte: aves grandes são as principais dispersoras de sementes de palmito-juçara, carregando-as a grandes distâncias. Em áreas onde aves grandes não estão mais presentes, as sementes vão ficando menores, pois são consumidas apenas por aves pequenas, que não conseguem levar as sementes grandes e mais vigorosas para longe.

Uso dos frutos de
palmito-juçara

O palmito-juçara leva cerca de oito anos para começar a produzir frutos. Pode-se usar a polpa para fazer suco ou “açaí” batido. Mas é importante deixar sempre pelo menos a metade das palmeiras ou dos frutos para a alimentação da fauna nativa e a sustentabilidade da floresta!

O uso de palmeiras exóticas
invasoras impacta as populações
naturais de palmito-juçara

A palmeira-imperial (Roystonea oleracea), nativa das ilhas Antilhas Menores, no Caribe, da Colômbia e da Venezuela, e a palmeira-real-da-Austrália (Archontophoenix cunninghamiana) vêm sendo amplamente plantadas para fins ornamentais na região litorânea do Paraná. Além de usar o mesmo ambiente onde o palmito-juçara ocorre de forma natural, essas palmeiras geram frutos que são disseminados pelas mesmas aves que deveriam, por sua função ecológica natural, estar disseminando sementes de palmito-juçara. Muitas dessas sementes estão germinando e estabelecendo populações dessas palmeiras exóticas no meio da floresta nativa, gerando competição direta com o palmito-juçara por espaço e por disseminadores de sementes.

Em função desse processo de dispersão e dos impactos decorrentes sobre espécies nativas de animais e plantas, essas palmeiras são denominadas de exóticas invasoras: as populações aumentam gradativamente, eliminando plantas nativas do seu hábitat natural e utilizando intensivamente os recursos do meio. Espécies exóticas não têm predadores naturais, o que facilita seu estabelecimento e cria processos de competição que espécies nativas não estão preparadas para enfrentar. O cultivo dessas palmeiras tem impactos diretos sobre o palmito-juçara e a sustentabilidade de muitas espécies nativas que vivem na Floresta Atlântica. O resultado é a perda de diversidade biológica e das funções ecológicas naturais da Floresta Atlântica.

O que você pode fazer:

Plante palmito-juçara: contribua para o sustento de animais nativos da Floresta Atlântica e para a saúde da floresta.

Substitua as palmeiras-imperiais e real da sua propriedade por palmito-juçara: contribua para conservar a paisagem.

Não cultive plantas exóticas invasoras: veja quais são na Base de Dados Nacional de Espécies Exóticas Invasoras.

Salvando árvores
da extinção

Onde procurar mudas de palmito-juçara?

O Viveiro Florestal do Instituto Água e Terra em Morretes tem produzido grandes quantidades de mudas de palmito-juçara para uso na região. O viveiro faz doação de mudas até uma certa quantidade por pessoa e está localizado à Estrada de Santa Fé, 600, próximo ao centro da cidade de Morretes.

 

Onde plantar?

  • Plante palmito-juçara sempre à sombra ou à meia-sombra, em solos úmidos e com acúmulo de folhas e matéria orgânica.
  • Pode ser plantado para fins ornamentais perto de casas e construções, pois é uma palmeira de porte relativamente pequeno, em geral atingindo 8m de altura ou pouco mais, com tronco delgado e de bela aparência.
  • Pode ser plantado em vasos, especialmente nos primeiros 2-3 anos, para fins de ornamentação em pátios e jardins.
  • Se você tiver frutos ou sementes em quantidade, pode fazer semeadura no interior de áreas florestais com solos úmidos e bom acúmulo de folhas e matéria orgânica.